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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

03
Mar17

Novos filhos, educação velha.

Fatia Mor

Não é incomum ouvir - especialmente dos mais velhos - "no meu tempo era assim e assado e sobrevivemos". 

Por mais que essa afirmativa seja redundante, caso contrário a conversa não se estaria a desenrolar, não deixo de achar que a prerrogativa é errada. 

O que se fazia antes, apesar de não ser inválido, não tem necessariamente que ser certo. E ainda que tenha granjeado bons resultados, a verdade é que outros podem ser alcançados de forma mais eficiente.

Apesar de defender isso, reconheço que reproduzo - com tiques e tudo! - os princípios da educação que recebi. E digo-vos, é quase preciso tomar uma dose de nootrópicos para conseguir concentrar-me e evitar cair no automatismo do aprendido no passado.

Hoje aconteceu-me precisamente isso. Sendo acérrima defensora de que devemos ensinar as crianças a contar tudo o que se passa com elas, dei por mim a dizer à Fatia#1 que não deve ser "queixinhas". 

Ora, isto não deixa de ser paradoxal... Para que ela me conte tudo o que acontece consigo, necessariamente terá que contar as situações em que há disputas, em que se aborrece ou frustra pela acção dos outros! E já o disse antes, tenho a certeza.

Do alto dos seus 4 anos e 7 meses, a Fatia#1 não sabe discernir quando deve contar-me e quando pode tentar resolver por si o problema. E mesmo que conte, posso sempre incentivá-la a resolver autonomamente o problema... 

Pus-me, então, a pensar nos mixed signals que lhe envio todos os dias. De como a queremos autonomizar, mas depois levamos a vida a lembrar-lhe os riscos e as dificuldades que tem pela frente... Ou de como lhe peço para se vestir sozinha, mas aos primeiros segundos a mais, corro para a despachar... Entre outras coisas, é claro!

É a educação velha em acção. 

Diria eu agora que comigo, provavelmente, foi igual e estou aqui, vivinha e independente, para contar a história. Mas a verdade é que sinto muitas vezes que me falta autonomia, capacidade de afirmação e de confronto. Resta saber tudo aquilo que faço e que ainda nem me apercebo.

 

E por aí, como é, notam que reproduzem os padrões da velha educação?

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