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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

04
Mai15

No meu tempo...

Fatia Mor

Desde que sou mãe e falo com mulheres, também elas mães, mais velhas, a dada altura e a jeito de crítica às minhas práticas maternais, salta um "no meu tempo tinhamos ou fazíamos assim e assado e tudo se criou".

No meu tempo...

... não havia epidural e nós tinhamos os filhos na mesma.

... só tinham mama e era assim e pronto.

... brincavam com tudo e nunca nada aconteceu.

... só haviam fraldas de pano e tinhamos que lavar tudo à mão...

E por aí a fora. Os biberãos eram fervidos em água e não no microondas. Não havia mariquices de puzzles e livros para crianças. Muito menos atividades culturais. Não havia ovos, nem cadeiras auto, nem coisas com nomes pomposos para transportar bebés. Meia bola e força! - era o lema!

 

Salta-me a tampa. Literalmente.

 

Parece que somos culpadas por a sociedade ter criados mecanismos de facilitar a vida às mães. De agora termos fraldas descartáveis (ainda que sendo um dos elementos mais poluentes no mundo) que facilitam muito a troca da fralda, a rapidez e a preocupação em manter tudo limpo. Como se fossemos as piores mães do mundo por optarmos por dar um biberão em vez de os pormos à mama. Como se devessemos sofrer as dores de parto na sua magnitude porque elas também o fizeram, e em casa, e sem condições nenhumas, nem acompanhamento nenhum.

 

Apetece-me logo sacar das estatísticas chocantes que mostram a realidade de outros tempos. Do número muito mais elevado de nados-mortos que existiam. Dos problemas ocorridos durante o período do parto que resultavam em complicações para a parturiente e para o recém-nascido. De como o desenvolvimento infantil era relegado para segundo plano, dando origem a crianças pouco estimuladas e aquém do seu potencial. 

 

E se tivesse uma máquina do tempo, como gostaria de viajar para verificar se eram tão abnegadas na altura. Se secretamente não desejaram que alguma coisa lhes aliviasse as dores, evitasse recuperações penosas, ou que alguém pudesse ter ficado com os filhos por algumas horas para descontraírem. Como demoraram muito mais tempo a ultrapassar o babyblues (logo apelidado de mariquices das mães de hoje, está claro), como lhes custou muito mais a saberem o que fazer e como agir (já que os grupos / fóruns / páginas sobre maternidade são uma perda de tempo, porque sabemos tudo por instinto).

 

E já agora, porque é que usam telemóveis, máquinas de lavar loiça ou roupa, fogão eléctrico e outras modernices, se antes não havia nada e tudo se fazia? A meu ver, a medida, devia ser a mesma!

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