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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

12
Jan15

Maria Capaz

Fatia Mor

Não sei se chore se ria. Não sei se gosto ou desgosto. Talvez fosse esse o objectivo. Pôr as mulheres portuguesas (ou que entendam Português) a pensar.

Recentemente foi criada uma plataforma para dar voz à mulher. Projecto embrionário, construído por duas caras bem conhecidas do grande público, vem trazer um conjunto de crónicas, ideias, entrevistas de mulheres e para mulheres. 

Choca-me que em pleno século XXI ainda sejam necessárias estas plataformas de juízos feministas... A discriminação existe e ainda assim pergunto-me quais serão os passos a dar para a eliminar. Fundamentalmente coloco-me sempre na questão de género que cada vez mais me parece ser uma discussão do sexo dos anjos, inantigível, insolucionável.

O ténue equilibrio entre ser igualitário e ser positiviamente discriminador é assustador. Mas ao mesmo tempo fascinante. Ainda agora lia um texto de uma das fundadoras sobre a violência doméstica. A bem dizer, e dizia-o bem, falava sobre "porrada". Adorei o texto, sendo franca, porque fala claramente de um problema por aquilo que ele é. Traz à luz a estatística, mas também a dor e o rosto de todas as mulheres violentamente agredidas, sofridas, machucadas, magoadas, quase no limiar da morte ou até mesmo das que sucumbiram às mãos de verdadeiros algozes.

No entanto, esquecemo-nos de tudo o resto. Especialmente da violência que é perpétuada no sentido inverso. No campo em que são as mulheres que abusam, destróem, corróem e diminuem grandemente os homens. 

Dir-me-ão, e com propriedade, que agressão física não é a mesma coisa e que as mulheres (pelo menos a maior parte) tem menos compleição física que o homem. Mas digo-vos eu agora: será o sofrimento físico maior que o sofrimento psicológico? E quando conduz ao suicídio, será a mulher menos culpada apenas porque não foi a mão que desferiu o golpe?

Tratar de questões da igualdade de género é um terreno escorregadio, especialmente se quisermos ser justos. Plataformas como estas engrandecem as mulheres, mas muitas vezes também as diminuem de forma veemente ao mostrá-las mais fracas e menos resilientes do que realmente são, perante o que encobertamente ainda se considera o sexo forte (e que é claramente validado por estes discursos).

Maria Capaz... Sim, talvez, mas não capaz de tudo.

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