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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

18
Mai17

Há coisas que eu não entendo...

Fatia Mor

Eu tento, mas não entendo.

 

Na zona onde eu vivo, há um cruzamento, onde os carros que se apresentam pela direita têm um stop, para deixar passar os que vêm da esquerda e que se apresentam numa subida. 

Quem passa por ali, com desconhecimento de causa e porque normalmente conduz sem olhar para a sinalética - neste caso bem visível - não pára no stop. Por norma, quando se apercebem do erro - depois daquele momento de elevada adrenalina em que metemos travões a fundo porque nos apercebemos que afinal o carro oposto não vai parar como lhe compete - pedem desculpa pelo equívoco e seguem caminho. Tudo isto, claro, de vidros fechados e recorrendo à linguagem universal: gestos.

 

Ora, hoje no caminho para o trabalho, quando vou a fazer a curva à esquerda apercebo-me que uma carrinha preta decidiu não parar no stop. Travamos os dois, com as frentes do carro na iminência de bater... O senhor que conduzia a carrinha achou que eu vinha da esquerda e portanto tinha que travar. Sem recorrer a gestos, mas antes a uma linguagem digna de levar uma bolinha vermelha no canto superior direito, terá vociferado dentro do veículo que tinha prioridade, introduzindo um sem número de vernáculo pelos entre-meios das sílabas das palavras. 

Com redobrada paciência indico-lhe para olhar para o canto superior direito onde poderia deparar-se com o bendito stop. Vejo-o olhar pelo canto do olho e quando se apercebe que eu tinha razão, cospe mais uma frase épica que não me requereu muito de capacidade de leitura dos lábios, nem me deixou muito para a imaginação trabalhar...

Acelerou furiosamente e passou-me à frente, mesmo depois de perceber que era ele quem tinha que ceder a passagem... E isto tudo, para estacionar o carro uns 100 metros à frente.

 

Ora bem, não entendo. Não consigo compreender a necessidade de ter razão, mesmo depois do racional ser o seu pior inimigo. Se o primeiro argumento era que teria prioridade por via das regras de trânsito, tendo ele conhecimento de que estava o próprio a incorrer em erro, não seria mais proveitoso assumir que não tinha visto o stop? Ou trata-se de chegar sempre em primeiro? Mesmo quando estava a 100 metros do local onde deveria estar?

 

Não entendo, juro que não entendo...

 

Ah, esperem, lembrei-me agora... É só falta de civismo.

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