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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

16
Nov15

Gerir o terror

Fatia Mor

A sensação de paz que temos na Europa é recente. 

Não nos podemos esquecer que ainda mal transcorreram 70 anos sobre o fim da IIGGM, que deixou na Europa feridas profundas que ainda hoje se sentem na confiança e nos estereótipos existentes sobre os povos. 

A violência tem evoluído na forma como se faz sentir. A estratégia bélica percebeu que o barulho do tiro faz tantos os mais estragos que o tiro em si. Que a perspectiva do risco é igualmente temente, como o é o risco vivido. Somos constantemente bombardeados com a ideia de que a nossa vida está em risco e ainda assim aprendemos a viver com essa noção, porque a paz estava do nosso lado.

A 11 de Setembro de 2001 - data que eventualmente está guardada na memória de cada um de forma distinta e palpável - o mundo ocidental recebeu o primeiro grande ataque em solo pacífico, de há muitos anos. Contudo, a nós, separava-nos um oceano desse cenário terrífico. Foi a moral da "polícia do mundo" que estava em causa, a retracção sentida foi enorme e as medidas de segurança levantadas. Os EUA estavam empenhados em não permitir que mais ameaças dessas ocorressem em solo americano. Em Madrid, em Março de 2004, no mesmo dia 11, um atentado causa pânico generalizado. Mas a dormência do 11 de Setembro - cujo impacto mediático ultrapassou largamente qualquer acção terrorista - não nos deixou sentir por completo a dor e o medo.

Estávamos agora em paz, em calmaria. Sabemos de tudo o que se passa no mundo, mas parece que continuamos a viver como adolescentes no vértice da loucura da vida: nunca nada nos acontece - a nós! A morte, o horror, está sempre destinado aos outros. Atribuímos razões idiotas a essa suposição, mas que servem claramente para nos ajudar a manter a sanidade e a ultrapassar as inseguranças do dia-a-dia. Na verdade, até a passear nos pode cair um raio em cima, não é verdade?

Acho que estes atentados de Paris vieram mostrar-nos que temos que amadurecer. Não podemos achar que estamos isentos da maldade humana. O mundo é uma aldeia. Não somos melhores, nem piores que os povos que diariamente lutam e batalham para terem a paz. Estamos interligados. As fronteiras são apenas delimitações psicológicas que servem propósitos mundanos. Somos todos irmãos, filhos da mesma Terra. E para cada um que defende o mal, dois há que desejam o bem! Sejamos capazes de mostrar a nossa humanidade nos momentos de sofrimento sem intolerância e sem incorrer no mesmo mal que nos atinge: a ignorância!

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