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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

22
Jan16

Faça-se justiça!

Fatia Mor

Ontem, um pouco inflamada por um comentário que li algures sobre a beleza feminina (sem interessar a origem para não dar mais visibilidade), perguntei se os homens sentiriam tanto a pressão para corresponderem a padrões de beleza específicos como nós sentimos.

A beleza é um conceito subjectivo, cultural e, por esse motivo, tem evoluído consideravelmente ao longo da história. Sempre existiu uma apetência pelo que é belo. Contudo, o que se considera belo é que evoluiu bastante até aos dias de hoje.

Cada vez que abro uma página de uma revista, vejo uma série de televisão, um filme ou qualquer outra produção, a beleza da mulher é retratada de forma a ofuscar tudo o que está à volta. Com base nesses padrões de beleza, que agora mais do que nunca parecem obedecer a duas ou três regras específicas - magras, mamas grandes e rabos trabalhados - as mulheres debatem-se para chegar a um patamar dificilmente alcançado naturalmente. As cirurgias plásticas aumentaram consideravelmente e banalizaram-se em múltiplas faixas etárias; as ferramentas do photoshop e outros programas de edição de imagem complementam o pacote; e a maquilhagem faz o resto.

Sempre que penso nisto vem-me à ideia aquela frase dita pelos homens em geral e por alguns em particular "não há mulheres feias, nós é que ainda não bebemos muito". Aproveito e dou-lhe uma transformaçãozita "não há mulheres feias, há mulheres com pouco dinheiro".

A verdade é que a mulher comum, com uma genética pouco abonatória e uma conta bancária magra não consegue toda essa produção. Mas estamos a falar de uma perspectiva redutora sobre a beleza.

Quero acreditar que os homens olham para essas mulheres como quem olha para um ferrari. Certamente que apreciam o carro pelas suas linhas inovadoras, pelo prestígio da marca, eventualmente até fantasiam com a forma como seria conduzir um carro daqueles... mas sabem que a possibilidade de ter um é ínfima, que é um carro de elevada manutenção e que, em poucos anos, o modelo está desactualizado, será descontinuado e não será fácil livrar-se dele. Por isso, eles apreciam igualmente a fiabilidade de um carro comum, com características mais ou menos atraentes no seu entender, que escolhem de acordo com as preferências por algumas especificidades que normalmente nem estão à vista, mas debaixo do capot.

A analogia com um carro não foi à toa e pode ser que assim entendam... Se vocês não comparam o vosso bolinhas, perdão, carrão, com um Ferrari - porque claramente ficam a perder - então, expliquem-me porque hão-de comparar as mulheres que estão à vossa volta com padrões irrealistas? Reconheço que apenas se recordem de uma mulher se esta for consideravelmente mais atraente do que a norma... Da mesma forma que um Ferrari é rapidamente reconhecido em todo o lado, contudo o meu carro facilmente passaria despercebido ao mais atento dos observadores.

Podemos voltar ao início da conversa e dir-me-ão que gostam de ver coisas bonitas. Eu também, é um facto. Mas nem sempre a arte é bonita, ou harmoniosa, ou iluminada. A beleza é um atributo subjectivo, e ainda assim a beleza da mulher continua a ser medida em termos de um critério objectivo.

 

Ainda assim reconheço que nos dias de hoje, o padrão de beleza irrealista começa a espalhar-se também à parte masculina da humanidade. Hoje em dia já se dá relevo aos homens num cenário, em que a mulher passa a ter uma dimensão acessória. Durante anos, os modelos masculinos eram colocados no cenários para complementar e nunca para brilhar. O six-pack, a tablete de chocolate, parece estar na moda. E nós, alegremente enchemos os olhos a visualizar um homem bonito à nossa frente. Mas curiosamente, as mulheres continuam a mostrar mais dificuldade e mais heterogeneidade a avaliar características físicas nos homens, do que estes têm quando o alvo são mulheres.

Será, então, o sentido prático e objectivo dos homens a sobressair? Até pode ser... 

O problema reside no facto desta objectividade pender apenas para a hetero-avaliação e muito raramente para a auto-avaliação. E ainda bem que assim é! Isso é proteccionista. Não lhes faz a mínima confusão se têm ou não um corpo escultural, trabalhado, seco. Isso não é central na sua auto-estima, na generalidade dos casos. A verdade é que o avançar da idade não é tão severa para os homens como para as mulheres, que aproveitam o mais possível o que a juventude lhes dá. Depois, há que compensar com a sabedoria tudo aquilo que os anos e a gravidade nos tira.

Portanto, o problema talvez esteja nós. Nós é que nos sentimos afectadas pelos olhos que nos escrutinam, quando simplesmente deveríamos aprender a ser mais homens e menos mulheres nesse aspecto. 

A comparação é o ponto de partida para tudo e aí pecamos. Comparamos-nos vilmente em tudo. "Oh João, tu já viste que o marido da Maria lhe ofereceu um carro no aniversário?" - esse simples acto de invejar o alheio - deixemo-nos de pruridos - vai diminuir claramente o ramo de rosas que o nosso homem nos ofertou... Nós é que temos que baixar os nossos parâmetros. Acreditar que não faz mal ter um bocadinho mais de carne, um cabelo menos cuidado e uma roupa menos sedutora...  Porque, no fim, não vai ser a beleza que nos vai garantir maior ou menor felicidade. Nem nos vai trazer maiores alegrias. 

Quanto à parte do matching - emparelhamento - falarei noutro dia... Que isso dá uma história por completo!

 

É questão para dizer...

 

 

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