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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

19
Jan17

Entre homens e mulheres

Fatia Mor

Faço um esforço por nos ver iguais, mas é impossível. Há diferenças irreconciliáveis entre homens e mulheres e, na verdade, ainda "bem" que assim é. 

Se fossemos feitos da mesma têmpera, não poderíamos alimentar a supremacia subvertida das mulheres sobre os homens (desde que seja atrás deles e nunca à sua frente).

 

Temos entendimentos diferentes da vida. Talvez seja o cromossoma que nos diferencia. Talvez seja o social, que nos molda a esse entendimento. Talvez seja ambos. Ou até, talvez, esteja apenas no olho de quem sustenta a crença. Mas somos diferentes. 

 

Sou mulher. Isso faz de mim cuidadora, mesmo que não queira e me descarte desse papel. A culpa de não conseguir ser o pilar da família, faz-me circular a mil à hora e sentir que a vida familiar compete deslealmente com o trabalho. Este é o preterido. Onde o reconhecimento vem porque "apesar de tudo és casada, tens filhos e até fazes o mesmo que nós". Só que pior. Ou com um custo superior.

 

És homem. E isso faz de ti um conflituado entre o trabalho e a família. Mas deves ser o ganha-pão. Deves colocar em casa as condições materiais únicas para garantir a nossa sobrevivência. O trabalho compete deslealmente com a vida familiar, com atributos de importância a que a família jamais chegará. 

 

Na verdade, justifica-se que é por causa da família que se trabalha tanto. Mas eu não posso argumentar o mesmo. Para mim, o axioma inverte-se e designa que é por causa da família que eu não posso chegar tão longe.

 

Bati neste tecto de cristal há muito tempo. Desde a minha primeira entrevista de emprego, em que um fulano misógino limpava as unhas dos polegares com as do dedo mindinho e, sem olhar para mim de frente - certamente não merecedora do seu olhar - me questionava se queria ser mãe, ter filhos, formar uma família.

Senti, nesse dia, pela primeira vez, o peso de ser mulher. O querer algo que é comum à grande generalidade das pessoas, era no meu caso um limite à minha empregabilidade. 

Se respondesse que sim, automaticamente estaria eliminada; Se respondesse que não, estaria a colocar-me num patamar de ingratidão para com a natureza, uma má mulher.

 

Volveram-se apenas 13 anos sobre essa entrevista e até podia dizer que vivemos tempos de mudança, mas a verdade é que continuamos a sustentar as mesmas crenças. Demos-lhes apenas uma roupagem nova, mais suavizada. Até nisso ficamos a perder. O homem pode agora abdicar da sua rudeza em prol de um aspecto mais macio. Mas nós continuamos vetadas na agressividade, na conquista, no chegar mais longe. Vejam bem, que o homem agora "até" ajuda em casa. Ou até se emociona e chora nos momentos mais marcantes da sua vida.

 

Acho que só resta tirarem-nos a maternidade. E passamos a ser completamente dispensáveis. 

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