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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

11
Set16

Ensino superior

Fatia Mor

Antes de avançar com o que vou dizer, acho que devo assumir que sou pessoa de interesse nesta temática. Tenho um curso superior. Aliás, tenho vários graus de ensino superior. Trabalho no ensino, acredito nos seus pressupostos.

 

Hoje saíram as colocações no ensino superior. Notícias por toda a imprensa, opiniões por todas as redes sociais. Umas a felicitar os novos alunos; outras em tom jocoso, a apontar para as saídas profissionais daqueles que optaram por seguir uma vocação, uma carreira, um sonho ou apenas um percurso como outro qualquer - cadeias de fast food, caixas de supermercado e outras coisas afins. 

Este ano, então, as engenharias (que ocuparam o pódio dos cursos com notas de último colocado mais elevadas) parece que saíram à rua numa vingança contra a medicina... Mas à parte das rivalidades, sempre existentes, entre cursos e áreas, deixa-me profundamente triste ver as opiniões menos bem formadas sobre aquilo que representa a formação no ensino superior.

 

Em primeiro lugar, acho que temos que destacar que o objectivo primordial do ensino superior não é dar um "canudo". Aliás, sou a primeira a defender que nem todos temos que seguir o caminho da escolarização superior e, infelizmente, em Portugal, tem havido um descrédito do ensino profissionalizante (tendência que me parece estar inverter lentamente).

 

Em segundo lugar, não podemos cair na falácia de apontar as saídas profissionais dos futuros licenciados como sendo o sector terciário. Para isso teríamos que ver igualmente o futuro profissional daqueles que, com a mesma idade, em percursos alternativos tenham conseguido alcançar. Será que é assim tão diferente a percentagem de cargos ocupados no sector terciário por alunos do ensino superior e por aqueles que não seguiram esse percurso?

 

Em terceiro lugar, eu também comecei por aí. Quando acabei a minha licenciatura (ainda das antigas) não tive imediatamente lugar no mercado de trabalho. Trabalhei - e com muito orgulho, diga-se de passagem - como caixa numa marca de perfumarias de shopping. Fez-me algum mal? Não, pelo contrário! Ajudou-me a adquirir experiência profissional, a perceber como funcionavam as empresas, a adquirir ética de trabalho, a enquadrar-me em hierarquias formais. E acima de tudo, pude pôr em prática muitas das competências técnicas - tanto teóricas como práticas - que tinha adquirido ao longo de vários anos de estudo no ensino superior.

 

Surpreendidos? A verdade é que consegui destacar-me dentro da equipa onde estava por ser capaz de reconhecer processos sociais e agir de acordo com as mesmos, aplicar técnicas de persuasão e venda, aconselhamento, formas de comunicação eficiente e técnicas de escuta activa. Devo também ao ensino superior o saber trabalhar em grupo, o reconhecer as minhas fragilidades e saber como trabalhar para as superar, onde pesquisar, realizar a auto e hetero-análise das demais situações em que me vi envolvida.

 

Tudo isso foi adquirido no ensino superior. Nas aulas chatas, nos trabalhos intermináveis, nas horas a queimar pestanas. E é isso, muito além daquilo que se possa sair a saber, que se conquista no ensino superior. 

Obviamente nem todos estamos talhados para a formatação actual do ensino, que se baseia numa vertente formal de estudo (apesar dos esforços que enveredamos todos os dias para conseguir autonomizar os alunos nas suas conquistas). Mas há muito para além do canudo... Acreditem.

Portanto, não diminuam o papel do ensino superior. É apenas mais um caminho. Um caminho que espero, francamente, que traga um conjunto enriquecedor de experiências a todos quantos por ele optaram. 

 

E muitas felicidades aos novos alunos universitários! Que sejam anos de muito estudo e de muito espírito académico, também!

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