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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

11
Abr17

Educar uma menina a mulher

Fatia Mor

A educação é a maior tarefa que um pai tem a seu cargo. Implica, acima de tudo, dar as bases morais a um filho para que este se mova na vida, pautado por princípios que lhe permitam respeitar-se, sem prejuízo do próximo. 

 

Não é fácil! Ainda não me tinha apercebido dessa monta, até porque connosco parece que tudo foi feito de forma fluída, sem esforço. A verdade é que esta simplicidade aparente resulta apenas da nossa perspectiva. Basicamente, não nos apercebemos do nosso crescimento, como nos apercebemos do crescimento dos nossos filhos.

 

Essa preocupação redobra-se com as minhas filhas. 

 

Não é por um tema estar batido, que deixa de causar impacto. Por onde quer que eu olhe, há uma quantidade enorme de informação que se foca na sexualização e objectivação da imagem da mulher. As mensagens que veiculam não deixam muito à imaginação: é preciso ser-se bonito. É preciso ter-se um corpo perfeito. Desempenhar um papel de forma perfeita: o de ser mulher. 

 

Olho para trás e penso em quantas vezes achei que não era bonita. De quantas vezes me interroguei porque seria que todos os rapazes de quem eu gostava, invariavelmente, gostavam de raparigas mais altas e mais magras do que eu. O meu único trunfo era ser inteligente. E mesmo esse ser inteligente resumia-se a estar entre os melhores alunos das turmas a que pertencia.

 

Durante esse período, nunca fui capaz de acreditar nas minhas capacidades sociais, na minha personalidade. Sempre tive o bom senso de não seguir por atalhos sofridos para alcançar patamares que atraíam as minhas fontes de afecto. Mas fechei-me muitas vezes, no meu casulo alimentado a livros, onde vivia tudo aquilo que não consegui viver na minha vida real. 

 

Anos mais tarde, aprendi a gostar de mim. Compreendi que o ideal não é ser "a mais bonita da festa". A verdade - como diz uma fase motivacional que às vezes vejo por aí - é que a beleza de outra mulher não anula a minha. Não tenho constantemente que estar a competir por um pódio que tem prazo de validade: vão sempre existir mulheres mais belas, mais inteligentes e - olhem a novidade - mais novas do que eu!

 

A natureza é sábia. Retira-nos a juventude para nos dar sabedoria. E ambas coexistem por tão pouco tempo para não nos apegarmos demasiado ao que vamos perder, em breve.

 

A Fatia#1 chorava no fim-de-semana porque um colega da escola lhe tinha dito que era feia. O seu raciocínio, do alto dos seus quatro anos, era que se pusesse maquilhagem ficava bonita. 

 

Fiquei em pânico! Ela é uma criança linda! Mais ainda aos meus olhos, mas consigo ver-lhe a beleza para lá da "mãezice" que há em mim. Não consigo fazê-la entender para lá do que os olhos vêem porque o seu nível de abstracção não lho permite.

 

Quero que se olhe ao espelho e que perceba que o seu impacto nas nossas vidas vai além do que ela vê. E que vale mais do que ela consegue avaliar. Que mesmo que fosse a criança mais feia do mundo, continuaria a ter as mais belas qualidades consigo. Gostava que ela entendesse que aquilo que vê no espelho será transitório e que apenas conseguirá transportar consigo na vida as conquistas internas que fizer. Que mesmo que uma ou mais pessoas não gostem do seu aspecto - seja qual for o motivo - que a beleza é um atributo relativo, enquanto a empatia, a bondade, o amor, não o são. 

 

Está longe de entender todos estes conceitos. E sei que vai chorar muitas mais vezes por não corresponder ao que os outros esperam dela, ou pelo que ela gostaria que outros apreciassem. 

 

Mas farei os possíveis para os educar, a todos assim. A ver além do óbvio. A apreciar o que há de melhor em cada pessoa. A valorizar o que é perene. A ser capaz de entender o que de bom cada pessoa tem, independentemente da forma como se apresenta ao mundo.

 

Só ainda não sei como vou fazer isso...

 

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