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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

02
Mar15

Dos beijos e outras coisas...

Fatia Mor

Estava a passear no facebook enquanto procrastinava fazia tempo para ir preparar o jantar, quando me deparei com o com um artigo com o seguinte título: Por favor, no le pidan besos a mis hijos. Podem consultá-lo na íntegra aqui.

Não pude ficar indiferente ao conteúdo até porque temos muito o hábito de fazer exactamente o que esta mãe descreve. 

Comummente, quando nos encontramos com crianças, mesmo que seja pela primeira vez e que nunca nos tenham visto nem mais gordos nem mais magros, impelimo-las a darem-nos beijos. Confesso que enquanto adulta me aborrece terminantemente dar beijos na cara a quem não conheço e acho que isso vem desde criança. Lembro-me distintamente de achar uma seca ter que beijar todas as amigas da mãe e da avó, em todas as circunstâncias, só porque sim, porque era boa educação. Na verdade, sempre me senti constrangida a fazê-lo e ainda hoje me sinto, quando sou confrontada com a situação de ter que cumprimentar, com um gesto que considero de carinho e de intimidade, pessoas que não conheço de lado nenhum.

O texto descreve ainda outra situação que me complicava largamente o sistema nervoso em criança. Convém explicar que nunca fui a criança mais sociável do mundo e olho com alguma angústia para as memórias referentes ao enfrentar o desconhecido do âmbito social. Retornando, o texto fala de uma adulta que tenta passar à frente da vez de uma criança no cabeleireiro por se tratar "apenas de uma criança". Acho que tal nunca se passou comigo num cabeleireiro, mas aconteceu várias vezes sentir que os adultos abusavam da sua posição etária nos cafés, papelarias e supermercados. Por diversas vezes, era ignorada no atendimento do café, quando me diziam para ir fazer o pedido ao balcão, em detrimento de outras pessoas, adultas. Era quase como se o facto de ser criança permitisse que o tratamento fosse diferenciado, como se fosse menor (aqui não no sentido da maioridade), inferior. 

Isso pôs-me a pensar... Efectivamente há uma visão diminuída sobre as crianças. E a obrigação do beijo parte daí também. Apesar de reconhecer que é difícil distinguir a fina e ténue linha que separa o que uma criança deve fazer em obrigação e o que não deve, sou forçada a concordar que deixar crianças serem ultrapassadas ou obrigá-las a beijar desconhecidos, para mim, é uma área bem cinzenta! 

 

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