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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

17
Nov16

Dia da Prematuridade

Fatia Mor

Cá em casa tenho dois prematuros. Apesar de serem prematuros com um pezinho no termo da gravidez, o segundo prematuro obrigou a internamento. 

Quando acordei da cesariana, já o Fatia#3 estava a respirar menos bem e a ficar cianótico. Deixaram-me pegar-lhe ao colo e prontamente o pediatra apareceu para o levar para o internamento. O ar sério e calmo contrastava com a forma como eu recebia a mensagem. Um turbilhão de emoções desenrolavam-se naquele momento, em que encaixava a ideia de síndrome respiratório, necessidade de ajudar a fazer trocas gasosas, análises ao sangue, um dia ou alguns incógnitos dias...

Naquele momento fiquei em espera. Puseram a minha maternidade em pausa.

Ver o Fatia#3 ligado às máquinas, ao oxigénio, com sonda, com cateter no braço, impressionavam-me. 

Mas confesso que o pior não foi isso... O pior era ouvir o choro dos bebés que iam nascendo, ali ao lado nos quartos, enquanto no meu reinava um silêncio apenas perturbado pelo som da televisão.

Esteve sempre ligada ao longo daqueles dias, mesmo quando dormia... Distraía-me da ausência do choro. Ajudava-me a embalar.

Quando me disseram que podia ir para casa, o mundo desabou. Já não havia necessidade de estar internada, portanto teria alta. Podia ficar num quarto, tipo hotel, mas tinha mais duas crianças em casa à minha espera, numa pilha de nervos por não verem a mãe nem o irmão, como tinha sido anunciado dias antes.

Optei por vir dormir a casa. E foi como se me arrancassem um braço, uma perna e o coração... Sair daquele hospital sem o Fatia#3 ao longo de mais de uma semana foi a maior violência de todo o processo.

 

Se o mundo fosse perfeito, nunca mais ninguém teria que passar por isso... Ou por algo muito pior. Sou uma abençoada por ter sido apenas uma situação transitória, de baixo risco.

 

Mas não quero que este dia passe em branco...

Fica aqui um abraço apertado a todos os pais que passaram ou ainda estão a passar por uma situação semelhante. Que nunca duvidem da força dos pequenos guerreiros. Dentro daquelas incubadoras eles fazem mais do que todos nós... Lutam, sem duvidar, pela sua vida!

 

P.S. O Fatia#3 faz hoje dois meses!

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