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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

13
Set17

Clube das mães

Fatia Mor

Não sei lá muito bem quando é que me juntei a este exclusivo clube que divide o mundo em duas partes: de um lado as mulheres-mães e do outro aqueles seres que ainda não o são. 

 

Quando estava do outro lado da barricada, confesso que este clube sempre me tirou do sério.

 

"Quando fores mãe é que vais perceber!" ou "Só quem tem filhos é que sabe!"  pareciam ser santo-e-senha destas destemidas guerreiras que teriam encontrado o belvedere do mundo e só partilhavam a sua localização com aquelas que tinham padecido com as dores de parto (fossem elas quais fossem).

A falta de empatia demonstrada pela minha suposta falta de capacidade de sentir algo sem nunca o ter experimentado, banzava-me. Seria o mesmo que considerar que os médicos só poderiam tratar as doenças de que já padeceram ou que os padres não poderiam fazer aconselhamento conjugal porque nunca teriam provado os amargos do matrimónio!

Claro que era capaz de entender o padecer das noites em branco e juro que compreendia os desafios educativos de uma criança. Aliás, tinha euzinha concepções muito bem fundamentadas de como corrigir um comportamento indesejado ou de como construir uma personalidade segura! 

 

E depois fui mãe.

 

Acho que não me juntei logo ao clube assim que concebi por uma questão de sorte e por querer acreditar que teria um filho perfeitinho, tal e qual como os livros descreviam. Mas devo-me ter juntado assim que a Fatia#1 abriu as goelas a chorar e só as fechou quatro horas depois, em exaustão! Minha e dela.

As lágrimas caíam-me copiosamente no colo, molhavam-me a roupa e a manta dela, enquanto eu a embalava suavemente em desespero por sentir que estava, logo ali a falhar redondamente como mãe.

Talvez tenha sido nesse dia, ou nos seguintes, que aquilo que estas mães me queriam dizer era que na verdade nunca sabemos bem ao que vamos até irmos. Não é que as outras pessoas não percebam o sentimento, mas temos que esconder o desespero, o medo irracional de algo acontecer, o sentimento de solidão quando estamos rodeados de todos os carinhos e conselhos (tantas vezes descabidos e absurdos), com o respectivo ruído de fundo que causam, enquanto tentamos criar um vínculo com alguém que é suposto amarmos com todas as nossas forças.

Isso, infelizmente, podemos empatizar, mas sentir, só mesmo depois de sermos mães. 

 

Por isso, perdoem-me se alguma vez disser algo como "depois logo entendes", parecendo que estou a diminuir a vossa capacidade de empatizar. Pelo contrário, estou apenas a dizer o indizível, o que é incapaz de se transpôr em palavras. 

É que apesar de não ter feito a inscrição, nem pago a jóia ou o seguro, infelizmente, às vezes faço parte do Clube das Mães e parece que depois de lá estarmos, o número de sócio é para a vida!

 

Nota confessional: É que acabei de dizer uma coisa destas e até se m'arrepiou a espinha quando ouvi!

 

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