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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

18
Ago16

A vida tal como ela é

Fatia Mor

Vi ontem, no site Tá Bonito, que uma grávida tinha encenado uma sessão fotográfica com o marido para lhe contar - de forma extremamente original, diga-se de passagem - que iria ser pai.

 

Adoro estas ideias! Mas a verdade é que nunca consigo ter nenhuma original ou colocar alguma plagiada em acção.

A vida nem sempre assim o proporciona... A Maria das Palavras falava sobre isso no outro dia, sobre os planos que fazemos na vida e os planos que a vida faz para nós, vão lá ler!

E acho que a minha vida é desprovida de algum sentido de romantismo e antecipa sempre os planos que eu possa querer fazer, de várias maneiras: tornando-se inesperada; gorando-os à partida; criando diversões que nos fazem esquecer momentos importantes; entre muitas outras formas originais que a vida tem de interferir naquilo que lhe planeamos!

 

Comigo, nunca houve anúncios originais de gravidez. Ei! Nem de pedidos de casamento. Aliás, somos tão perdidos na vida, que nem uma data (além do casamento) temos para celebrar... Não sei bem qual foi o dia em que nos vimos pela primeira vez (apesar de saber a ocasião), nem quando começamos a namorar (aconteceu, apenas!)... Nem quando decidimos casar e até para isso houve várias datas possíveis, até a coisa estabilizar.

 

Dos nossos filhos, foi igual.

Da primeira gravidez (normalmente a planeada) tinham-nos dito que dificilmente iria engravidar sem ajuda. O problema? Quando deixei de tomar a pílula, a menstruação evaporou-se e com ela a ovulação... Ainda assim, o médico quis começar devagar e então deu-me apenas um medicamento para tomar, que precipitava o aparecimento do período. E deu-me um aviso... Se aos 35 dias de ciclo, a menstruação teimar em não chegar, despiste uma gravidez e volte a tomar. Faça isso 6 ciclos. E assim fizemos. Tomei o primeiro mês e 35 dias de depois, por descargo de consciência (e porque o médico assim me disse), fiz um teste de gravidez. Deixei-o em cima da bancada da casa de banho, comecei a despachar-me e quando olhei... Tinha dois traços vermelhos lá escarrapachados! 

A incredulidade não me deixou pensar na hipótese de o surpreender. Aquilo era tão surpreendente que o Fatiasmen recusou-se a acreditar de que o teste estaria bom e saiu para comprar outro... que logicamente era igualmente positivo.

 

Da segunda gravidez (normalmente desejada mas não planeada) falámos na possibilidade de ter outro filho. Ambos queríamos, mas depois a vida intrometeu-se. O meu sogro adoeceu gravemente e faleceu em menos de dois meses... Nunca mais pensamos no assunto, até que eu - que continuava com os meus ciclos meio loucos - me apercebi que talvez já se passassem muitos dias desde a última menstruação. Fiz um teste, por descargo de consciência mais uma vez, e... apareceram duas riscas! Mais uma vez, a incredulidade, a surpresa! Queríamos, faláramos nisso... Mas nem sabíamos muito bem de onde vinha! Não tive capacidade de guardar para mim tanta alegria no meio de tanta tristeza. Foi só dar um grito, muitos beijos e pronto, estava informado de que vinha a Fatia#2 a caminho...

 

Da terceira gravidez (normalmente completamente inesperada... mais ainda) estive adoentada. Depois a menstruação atrasou para máximos históricos. Recusei-me solenemente a acreditar que pudesse estar grávida. Não tinha havido falhas no nosso método, nada que fizesse supor uma gravidez... Mas o sexto sentido não engana e a preocupação de mais uma criança também não! Não fui capaz de esconder. Aliás, nem queria! A angústia contrastava com a alegria de outros momentos idênticos. A vida tinha feito planos de mais um bebé para nós e não estávamos minimamente preparados para isso! A medo, fizemos o teste. E esperamos pacientemente os dois... Pelos dois segundos que demorou a mostrar que estava, efectivamente, grávida. 

 

E foi assim... Momentos solenemente partilhados, sem romantismo, sem fotografias, sem lágrimas de felicidade ou loucura inspirada na nossa veia artística! Nada! Simplesmente olhares cúmplices. E muitos sentimentos misturados, difíceis de definir...

 

Acho que é isso a vida, tal como ela é! Sem ensaios, sem mistérios fotografados, sem histórias para contar... Mas somos felizes assim. E acho que uma fotografia jamais o resumirá!

 

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