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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

15
Nov16

A idade relativa do que nos rodeia

Fatia Mor

Recordo-me de ter cerca de 9 anos e olhar para a filha de uma amiga da nossa família com aquela admiração que só as crianças sabem ter.

Olhava-a e deseja ser como ela. Assim, crescida, decidida, já muito adulta com uns pequenos saltos nas suas botas de inverno, ou um estilo muito próprio de roupa. Ouvi-la falar dos seus amigos, das conversas que tinha, dos grupos de música que seguia e que para mim me pareciam sons demasiado maturados para os meus infantis ouvidos, era um desafio ao meu futuro: eu queria ser como ela.

Só quando cheguei à universidade e nos cruzávamos nos corredores me apercebi que, na realidade, apenas 3 anos nos separam. Mas eram três anos determinantes para a minha admiração.

Anos mais tarde, ao falar disto com ela, rimos da minha inocência, já que ela se via como a mais comum das raparigas, sem nada de novo a acrescentar...

 

Acho que se passa exactamente o mesmo com os pais. Quando olho para trás, vejo-me a admirar a minha mãe, a achar que ela sabia todas as respostas prontamente a quaisquer perguntas que eu tivesse. A segurança dos seus conselhos, a forma certeira das suas palavras na minha vida, faziam-me crer que a minha mãe sabia exactamente o que estava a fazer.

Mas agora cruzamo-nos nos mesmos corredores da vida.

Hoje vejo-me enquanto mãe a tentar acertar a cada momento com três crianças, todas elas em fases diferentes de crescimento, com feitios distintos e desafios que se mostram crescentes com a idade. E francamente não faço ideia do que ando a fazer. Vejo agora nas minhas respostas a mesma hesitação que não percebia na minha mãe. Talvez o mesmo ar cansado ou preocupado, que agora reconheço ao espelho.

No presente, que me deparo com as minhas inseguranças e as tento ocultar para fazer o melhor trabalho possível, vejo como ser adulto é um engano. E sinto-me enganada na minha inocência de acreditar que, um dia na vida, saberia o que estava a fazer com uma certeza nuclear.

 

Nunca deixamos de ser crianças. Apenas passamos a encarnar esta personagem que sabe um pouco mais da vida, mas que ainda assim continua em pôr em causa os passos que dá!

 

No fundo, é exactamente como admirar a minha amiga de infância e, passados uns anos, perceber que afinal não éramos assim tão diferentes, nem tão distantes. Ela era tão criança como eu! 

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