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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

17
Jan18

Xô gripe!

Fatia Mor

Há uns bons anos que não tinha uma gripe.

Normalmente tenho sinusite, faringites, derivadas da minha rinite crónica. Mas gripe, assim à séria, não.

Pois, posso dizer-vos que este ano, foi o ano.

Foi o ano da dor de cabeça, da dores nas articulações, da febre, do ranho, da tosse, das tonturas, das náuseas, de tudo... De estar deitada, porque mal me conseguia levantar. De me sentir cansada por dar dois passos. De tratar sintomas, tomar mezinhas.

Uma maravilha!

 

E está a teimar em ir embora.

 

Creeeedoooo.

15
Jan18

Fatia, que achas desta coisa da SuperNanny - uma opinião delirante de quem está com gripe

Fatia Mor

Ontem, enquanto fazia zapping no auge de uma gripe que me atirou ao tapete (que é como quem diz, ao sofá!), encontrei a Nanny mais famosa de Portugal.

Ainda o programa não tinha começado e já eu lia ou via zunzuns de vozes mais activas nesta coisa dos direitos à protecção da privacidade e intimidade da criança.

Depois da estreia, as redes sociais ondularam mediante o tsunami que se abateu, disparando petições, queixas, comentários, contra, assim-assim, e a favor.

Cada um interpreta de acordo com aquilo que conhece, que acredita, com base na sua educação e nos seus sistemas de valores. Pouco é factual nas explicações encontradas, grande parte são suposições e tenho a certeza que só mesmo os envolvidos poderão descortinar melhor o propósito de se terem exposto desta forma.

 

Então vamos por partes.

 

Para mim, é expor desnecessariamente a criança?

É. Toda a exposição das crianças deve ser evitada, dado que são indivíduos de direito e como tal, não "pertencem" aos seus pais. No entanto, são eles que detêm o direito legal de gerir a sua vida. Portanto, é exposição quando os inscrevem para estes programas, como para outros quaisquer onde a imagem da criança seja utilizada para qualquer fim. Como por exemplo, concursos, passagens de modelos, trabalhos como actores e até blogs, instagrams e facebooks. Tudo é exposição sem o consentimento da criança. Até eu, quando retrato episódios, mesmo resguardados no anonimato, exerço um pouco essa exposição!

 

Pode esta exposição ter consequências negativas para a criança?

Possivelmente. Não podemos dar nada por garantido e, qualquer que seja a exposição, pode ter problemas para a criança. Vejamos o exemplo de muitas das crianças prodígio de Hollywood, por exemplo. No que poderia ser uma exposição que lhes era favorável, não faltaram os casos de sérios problemas de saúde mental, a longo prazo. Aqui, numa exposição que claramente mostra uma criança com comportamentos indesejáveis e que é assim retratada, poderá muito bem vir a ser ostracizada ou vitimizada na escola ou noutros meios.

 

A Nanny esteve bem ou mal?

A Nanny é chamada a intervir e tem um modelo muito específico de acção. A ideia dela é diminuir a frequência de comportamentos indesejáveis, em detrimento de outros desejáveis. Utiliza um sistema token para reforço positivo dos comportamentos que quer ver replicados, bem definidos através de um sistema de regras e horários definidos em conjunto com a família. Além do mais, utiliza o célebre time-out, para permitir à criança modificar o seu estado mental, enquanto espera sentada num banco, em número de minutos equivalente à sua idade.

O método é claramente de curto-prazo porque não se preocupa em compreender a origem dos sintomas do comportamento indesejável.

Vejamos os seguintes exemplos:

1. A criança faz birras mas os pais aceitam as birras por considerarem que fazem parte da sua (in)capacidade de expressão das suas emoções e estados mentais. Como tal, não consideram o comportamento desajustado, não sentindo necessidade de intervir.

2. A criança faz birras o que desespera os progenitores, por considerarem que é um comportamento indesejável e que expressa a vontade da criança contrariar os desejos dos adultos, apesar de estes serem para o seu bem-estar.

 

No primeiro caso, este tipo de sistema não faz sentido. A própria abordagem dos pais é que dita a indesejabilidade do comportamento. No segundo, talvez faça.

Em algum dos casos os pais estão errados? Não. Cada um gere a educação dos seus filhos da forma que acha mais adequada ao seu sistema de valores educativos e, desde que não prejudique os seus filhos, então ambas as visões são plausíveis. 

 

O método humilha a criança?

A criança está numa situação de fragilidade e de vulnerabilidade. Parece-me, na minha opinião que, o que poderá humilhar a criança é a exposição da situação por si, mais do que a utilização de um método de reforço positivo/negativo para a extinção de um comportamento que se considera um problema.

 

A mãe também tem problemas?

Certamente. Não temos todos? Há alguém que se possa considerar uma mãe ou um pai perfeito? Eu tenho dias em que me pergunto o que ando aqui a fazer, se estou a conseguir educar os meus filhos para serem boas pessoas, generosas, compreensivas. Mas nem sempre sei se estou a acertar. E vou tentando diversas estratégias, umas mais acertadas do que outras. A diferença? Ninguém vê. Com esta mãe, vimos tudo. E não tardamos a julgar.

 

Feitas as contas, este método vai resultar?

Como qualquer método destes, vai resultar sumariamente e a curto prazo. Com o crescimento da criança, encontraremos outros pontos de fricção e de testagem de limites, que irão necessitar de excelentes linhas de comunicação entre pais e filhos para poderem ser superados. 

O programa intervém a muitíssimo curto-prazo, num show off de uma acção que pode ter efeitos pelo mero efeito de exposição à observação, entre muitos outros enviesamentos que possam existir pelo formato em que é realizado. 

É um programa de televisão, um reality-show, com todos os predicados que podemos dedicar a este tipo de conteúdos.

Se a família continuar a encontrar problemas no comportamento da criança, entendendo-os como tal e sentindo-se incapaz para lidar com eles, terá então que procurar ajudar especilizada que passará por métodos diferentes destes, com efeitos a longo prazo mais do que instantâneos.

 

E a minha opinião pessoal sobre o caso?

A criança é perfeitamente normal, ajustada aos seus 7 anos, com comportamentos típicos de uma criança dessa idade que começa a querer demarcar o seu espaço. Não conheço muito mais e não me pronuncio muito mais.

 

E sobre os comentários?

Várias coisas.

1. Não é por "ter sido assim no meu tempo" que as coisas devem ficar como estavam. No tempo em que a minha avó era criança não havia televisão e olhem, agora toda a gente tem uma.

2. A psicologia não criou os traumas. Sempre houve e sempre haverá crianças e adultos traumatizados. A psicologia, tal como outras ciências só veio identificar o problema e encontrar-lhe uma solução. Vejam bem, antes morria-se e não se sabia do que era. Agora a medicina já consegue identificar os agentes patogénicos, procurar curas e evitar as mortes. Pois, mas estou-me a esquecer que quando se fala de saúde física a coisa tem outra figura. Quando é uma depressão, "é só uma depressão"... Bom, a psicologia não criou os traumas, não diz que as crianças não devam ser frustradas, contrariadas ou que se devam sobrepor aos seus pais.  

 

E pronto, acho que não tenho mais nada a acrescentar.

 

Espero que consigam destrinçar claramente o aspecto do reality-show (com o qual não concordo) com a utilização de métodos claramente comportamentalistas (a curto-prazo) para resolver um problema identificado pela família e que encontrou, nesta forma, uma maneira de pedir ajuda.

 

Não nos esqueçamos que no fundo, depois desta polémica toda, eles continuam a precisar da ajuda, de compreensão e de empatia. 

 

11
Jan18

First world problems de uma mãe com 3 filhos

Fatia Mor

Por acaso, até tenho um texto todo catita guardado nos rascunhos de hoje. Mas é sério e aborrecido, portanto, deixei-me disso e venho dar-vos conta de um flagelo maior que a vida.

Preparem-se...

 

Então não é que os emojis discriminam, claramente, famílias numerosas?

 

Ora bem, se forem um casal heteroparetal ou homoparental, com um filho, uma filha, dois filhos, duas filhas, um filho e uma filha, tudo bem! Têm lá um bonequito que vos representa. Se forem pais solteiros, também, desde que não tenham mais do que dois filhos...

 

Agora, se forem, como eu, uma fatia com 3 filhos... Esquece lá! Tivesses tido cuidado com os métodos contraceptivos, que ninguém te manda fazer muitos filhos. 

 

São só três. Não estou a pedir para fazerem um boneco para o gungunhana, mas vá lá! Gostava tanto de me poder representar por meio de emoji...  Vá... problemas de primeiro mundo que hoje me assolam. As coisas sérias ficam para outro dia.

08
Jan18

Sermos gratos e não desconfiados

Fatia Mor

Lá diz o ditado popular que quando a esmola é demais, o santo desconfia.

 

Não sei bem se os santos estão em posição de desconfiar do que quer que seja, nos dias que correm que me parecem ser de crise no ramo religioso, mas eu sinto-me uma eterna desconfiada da vida.

Sou uma optimista-com-um-bracinho-a-atirar-para-o-pessimismo! O que quero dizer com isto? Quando tudo corre mal tendo a ter uma visão prática, orientada para a solução, sem me deter muito tempo nos aspectos negativos do que estou a viver. E confesso, com alguma rapidez que até a mim me deixa desconfortável, enfio tudo para trás das costas, afasto os pensamentos menos bons e sigo em frente, esquecida do que passou. Posso deitar-me durante uns segundos ao desespero, mas refaço-me depressa.

 

Mas quando tudo está calmo ando sempre a olhar por cima do ombro. É como se sentisse que, mediante a tragédia das vidas humanas que há à minha volta (e no resto do mundo), acreditar que sou uma bafejada pela coerência, pela calma e pela estabilidade, seja demasiado para o aceitar pacificamente. No fundo, sinto sempre que tudo o que acontece aos outros podia, a qualquer instante, estar a acontecer-me a mim. 

Não sei se é a desvalorização de alguns aspectos menos bons da minha vida - que simplesmente não encaro de forma negativa - ou se se deve apenas à minha capacidade de achar que as coisas boas que me acontecem são fruto do meu esforço e do meu empenho e, portanto, acreditar que consigo sempre dar a volta a tudo... Não sei. Mas também sei que tenho um pensamento mágico que me acompanha sempre de que a sorte existe e está cá para nos trazer coisas boas, que nem sempre dependi do meu esforço, ou sequer da minha capacidade de prever as consequências dos meus passos. Aos 35 (e meio) acho que sou mais inconsciente e pouco elaborada nos planos que faço, do que aquilo que gostaria de acreditar.

Sei que trabalhei muito para ter o que tenho, mas acho que há também quem trabalhe o dobro e não tenha sequer metade. E por vezes, o sentimento de culpa atormenta-me e faz-me perguntar se sou merecedora de tudo o que tenho.

É aí que olho por cima do ombro; procuro, por todo lado, indicadores que me digam que alguma coisa não está bem; que há-de vir por aí uma montanha enorme de sofrimento que irá pôr à prova a minha capacidade de resiliar, irá testar a minha fé nos homens e me trará à pedra todos os meus valores religiosos, vendo de que fibra são feitos.

Espero, francamente, que esse dia nunca chegue. Que a minha auto-análise, a minha transformação, seja sempre suficiente e necessária para me colocar no lado dos felizes da vida. No entanto, não sei se será. E mesmo tendo fé, nem sempre a fé me chega. Talvez não chegue, talvez não seja tão grande como eu gostaria. Para já, sou grata por tudo o que tenho. Mas não consigo deixar de andar sempre meio desconfiada da vida... 

04
Jan18

Fatia#3

Fatia Mor

Há imenso tempo que não falamos do meu já-não-tão-pequeno-filho mais novo. 

O benjamim está crescido e está uma fofura deliciosa, tal como pode ser atestado por quem o conhece. 

Do alto dos seus 15 meses, já anda (ou melhor, percorre alguns percursos em formato bípede), palra imenso e faz algo delicioso: faz sons como se estivesse a contar, tal como as irmãs fazem. É uma delícia ouvi-lo "ãaaaa, dõoooo, teeeee, caaacuuuu", enquanto nos espeta o dedo na testa (bem, às tantas está é a imitar-me a mim, quando faço contagens perante o desprezo que as manas dão aos meus pedidos!).

Adora redecorar a sala - já me partiu a tampa de uma jarra. Adora arrumar as gavetas do quarto dele - tira a roupa toda, lavada e passada, e enfia-a dentro do cesto da roupa suja. Adora cozinhar - leva o dia a abrir as gavetas da cozinha e a mexer em colheres, nos panos de cozinha, nas bases de cortiça, nos esfregões novos, no azeite e no vinagre. Ah, e espalha sal no chão!

Uma maravilha. Digo-vos que se não for uma destas coisas -  cozinheiro, decorador, empresário do ramo do passa-a-ferro - tenho a certeza que será alpinista. 

É que ainda ontem, fui dar com ele, em cima da sanita (vá lá, estava com o tampo em baixo), a trepar para cima do autoclismo. Em dois segundos que virei as costas para ir atender a Fatia#2. 

Digam lá, se não tenho um Fatia#3 multifacetado?

 

#SomosTodosPaisÀBeiraDeUmAtaqueDeNervos

 

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Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (http://www.flaticon.com/).