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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

26
Abr17

Onde andas Pai Natal?

Fatia Mor

Para as minhas filhas, Natal é quando o homem quiser. Ou melhor, quando as fatias quiserem. E T-O-D-O-S os dias é Natal.

 

Agora mesmo, vieram as duas a correr, esbaforidas, do quarto a dizer-me que ouviram o pai natal.  Quem diz o velhinho, diz as renas e os seus sinos.

 

E claro... tinha que vir a pergunta...

 

Oh mãe, o que é que o pai natal anda a fazer por aqui?

 

Não me ocorreu mais nada a não ser...

 

...anda a tomar apontamentos para o próximo natal!

 

Estão tão sossegadinhas desde então, que não sei como não me lembrei disto antes!

 

Nada como uma boa chantagem para acalmar estas pulgas. É tudo parentalidade positiva, vão por mim! 

24
Abr17

Refém da fé

Fatia Mor

A minha avó tinha uma crença profunda no Santo António. Apesar de ter muitas imagens de santos em cima do seu tocador do quarto, o lugar central era dedicado ao santinho da sua devoção. 

Quando alguma coisa lhe desaparecia, era certo e sabido que as suas orações se voltavam para o casamenteiro. Quando lá passava e o via de cabeça para baixo já sabia que havia alguma coisa perdida naquela casa. E ela jurava a pé juntos que tudo o que lhe pedia, voltava. E era verdade. Numa questão de minutos ou horas, fruto do milagre ou da sua memória decrépita que a fazia recordar onde deixara o objecto desejado, tudo aparecia.

Nesses momentos, olhava sempre com alguma tristeza para aquele Santo António, de cabeça para baixo num equilíbrio periclitante de vir por ali abaixo. Era para mim, maior milagre, como é que aquela estatueta se mantinha intacta! O pobre era, no fundo, refém da fé da minha avó, que lhe fazia uma chantagem infame: mantê-lo naquela posição, desconfortável, até que o pedido fosse atendido.

 

Hoje, quando vi o post da MJ, pedindo que atribuíssemos um título à imagem, recordei-me do Santo António. Daquela posição insólita, das promessas realizadas, dos pagamentos devidos. 

Porém, se a fé da minha avó fazia refém a estatueta de um santo, ali a fé faz reféns que se martirizam para pagar uma promessa. 

 

Longe de mim atentar contra a fé. Eu própria sou pessoa de muita fé, mas lamento, nunca terei fé numa martirização do físico para pagar o que quer que seja. Até porque a qualidade de um santo, possivelmente, prende-se com a sua capacidade de ajudar sem pagamentos, ou caso contrário seria apenas uma transacção, em que francamente não sei o que um recebe nem o que outro paga. 

 

Portanto, MJ, aqui fica a minha sugestão: reféns da fé!

 

Será que serve?

21
Abr17

Bom fim-de-semana

Fatia Mor

Tenho um problema com as sextas-feiras. Parece-me que passam sempre mais devagar que qualquer outro dia da semana, em virtude da antecipação da entrada do fim-de-semana.

Estou para aqui a procrastinar, a iniciar tarefas e a deixar tudo a meio, com a cabeça perdida em pensamentos sem utilidade e a pensar que mais valia ir-me embora, porque a produtividade ficou retida na quinta-feira. 

Mas enfim, espero que esta paragem dê para exorcizar este marasmo e que as próximas horas rendam qualquer coisa em condições.

 

Por isso, maltinha, se já não nos virmos, falamos segunda-feira!

 

Bom fim-de-semana!

 

20
Abr17

O livro secreto - Um homem chamado Ove

Fatia Mor

Esta iniciativa do livro secreto da MJ tem servido para perceber que os correios não funcionam ao seu melhor nível, aqui onde moro.

Ainda assim, este foi um dos livros cujo título mais curiosidade me suscitou. Nunca tinha ouvido falar dele, mas tem qualquer de enigmático que me atraiu! Por isso, quando o vi na caixa do correio, fiquei encantada.

 

Nota: pode conter spoilers. 

 

(agora não digam que não avisei!)

 

Comecei a ler cheia de vontade e, ao fim dos primeiros capítulos, tinha uma profunda antipatia pelo Ove, confesso. Pensei cá com os meus botões "se isto é um livro deprimente de uma pessoa com 59 anos que se tenta suicidar, ficamo-nos já por aqui!". 

Porém, a pouco e pouco, Ove foi-se transformando no meu bisavô!

O pai do meu avô materno era uma pessoa adorável pelas suas qualidades de integridade e honra. Só me recordo dele já com muita idade, tomado pelo Parkinson, e de poucas palavras. Sempre achei que a sua economia verbal se devia à doença, mas o crescimento e as histórias da família levaram-me a perceber que não. O meu bisavô simplesmente não desperdiçava capital verbal. Haveriam certamente coisas mais interessantes onde empregar o seu intelecto que, vos garanto, era grande.

Claro que há diferenças, mas aquela personagem carrancuda que se recusa a viver na ausência da mulher é, na verdade, um homem que precisa dos afectos para viver. Só não sabe disso. Ou nunca pensou sobre isso, porque Ove não é um homem que se preocupe com coisas não tangíveis. Tal como o meu bisavô.

 

É uma história encantadora. Não sei se posso dizer soberbamente escrita, porque essa avaliação só se consegue fazer ao ler na língua original, e de sueco só digo Ikea (continuo à espera de um contacto...), mas a tradução parece-me bem conseguida e nota-se uma preocupação na riqueza do vocabulário, que achei refrescante. 

Não me parece um livro imprevisível, mas antes um livro sobre a natureza emocional do ser humano que nos mostra como o amor é a parte colorida da nossa existência. 

Escusado será dizer que as páginas voaram, dormi pouco mas só descansei quando o acabei de ler. E no fim, era a maior fã do Ove. Acho que vale muito a pena ler!

 

E venha o próximo!

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Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (http://www.flaticon.com/).