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Vida às fatias

Gostava de escrever um texto inspirador que servisse de meta a este blog... mas não há! É consumir depressa antes que acabe!

22
Set17

Vamos lá falar de problemas do primeiro mundo...

Fatia Mor

Onde? Onde é que eu arranjo t-shirts de cor sólida (branco, azul, preto), de um bom algodão, que não sejam transparentes, que não se rompam em duas lavagens, que não sejam elásticas (e por conseguinte fiquem coladas ao corpo), e que não me custem os olhos da cara?

Onde?

É que me faziam tanta falta!!!

18
Set17

Um ano

Fatia Mor

Fizeste ontem um ano, meu filho!

Fez ontem um ano que me redefini, pela terceira vez, enquanto mãe e enquanto ser humano.

Dizer que este revolução da terra em torno do sol passou num ápice é um cliché e, simultaneamente, um eufemismo.

Guardo com alguma emoção o dia em que vieste ao mundo, de forma atribulada. Guardo a angústia de não teres ficado comigo, de não ter sido meu o primeiro abraço, o primeiro beijo ou até a primeira fralda trocada. Mas retenho, com força e ainda mais alegria, todos os momentos que passámos juntos ao longo deste ano.

Foste o nosso terceiro filho, surgido do nada e que vieste para nos mostrar como o mundo é bonito em tons de azul, de verde, amarelo e também de rosa! Herdaste tanta coisa das tuas irmãs, que dificilmente compreenderás porque há tanta coisa em azul para menino! Fizeste da Fatia#1 uma irmã mais velha cheia de predicados e da Fatia#2 uma irmã do meio, cheia de ciúmes (pela frente) e cheia de preocupações (por trás, para ninguém ver o quanto ela também gosta de ti!).

Adoramos o jeitinho manso de te encostares no nosso ombro, da forma babada com chuchas no dedo (e que complicação que vai ser para deixar), os sorrisos que abres para toda a gente que te elogie! 

Elas ainda fazem gato-sapato de ti, meu filho, mas já começas a mostrar a tua energia. E a manter-se, vais-nos fazer velhos num instante!

Um ano, meu filho, um ano! 

Venham mais. Muitos e muitos mais!

 

 

 

14
Set17

Contar cabelos brancos

Fatia Mor

Depois de muitas asneiras, decidi que as minhas fatias deviam reflectir e decidir quais são as regras que devemos seguir lá em casa.

Sentamo-nos na cozinha, saquei de umas folhas brancas, um marcador preto e toca a escrever.

Apesar de elas não saberem ler, fomos falando e foram dizendo, cada uma seu jeito e entendimento, o que achávamos que deveria ser cumprido para uma convivência harmoniosa em casa (e não só)!

 

Ora bem, o resultado foi parar ao instragram:

 

 

Escusado será dizer que de boas intenções está o inferno cheio!

Duvidam? Ora vejam lá!

 

 

Acho que vou ficar cheia de cabelos brancos, em menos nada...

13
Set17

Clube das mães

Fatia Mor

Não sei lá muito bem quando é que me juntei a este exclusivo clube que divide o mundo em duas partes: de um lado as mulheres-mães e do outro aqueles seres que ainda não o são. 

 

Quando estava do outro lado da barricada, confesso que este clube sempre me tirou do sério.

 

"Quando fores mãe é que vais perceber!" ou "Só quem tem filhos é que sabe!"  pareciam ser santo-e-senha destas destemidas guerreiras que teriam encontrado o belvedere do mundo e só partilhavam a sua localização com aquelas que tinham padecido com as dores de parto (fossem elas quais fossem).

A falta de empatia demonstrada pela minha suposta falta de capacidade de sentir algo sem nunca o ter experimentado, banzava-me. Seria o mesmo que considerar que os médicos só poderiam tratar as doenças de que já padeceram ou que os padres não poderiam fazer aconselhamento conjugal porque nunca teriam provado os amargos do matrimónio!

Claro que era capaz de entender o padecer das noites em branco e juro que compreendia os desafios educativos de uma criança. Aliás, tinha euzinha concepções muito bem fundamentadas de como corrigir um comportamento indesejado ou de como construir uma personalidade segura! 

 

E depois fui mãe.

 

Acho que não me juntei logo ao clube assim que concebi por uma questão de sorte e por querer acreditar que teria um filho perfeitinho, tal e qual como os livros descreviam. Mas devo-me ter juntado assim que a Fatia#1 abriu as goelas a chorar e só as fechou quatro horas depois, em exaustão! Minha e dela.

As lágrimas caíam-me copiosamente no colo, molhavam-me a roupa e a manta dela, enquanto eu a embalava suavemente em desespero por sentir que estava, logo ali a falhar redondamente como mãe.

Talvez tenha sido nesse dia, ou nos seguintes, que aquilo que estas mães me queriam dizer era que na verdade nunca sabemos bem ao que vamos até irmos. Não é que as outras pessoas não percebam o sentimento, mas temos que esconder o desespero, o medo irracional de algo acontecer, o sentimento de solidão quando estamos rodeados de todos os carinhos e conselhos (tantas vezes descabidos e absurdos), com o respectivo ruído de fundo que causam, enquanto tentamos criar um vínculo com alguém que é suposto amarmos com todas as nossas forças.

Isso, infelizmente, podemos empatizar, mas sentir, só mesmo depois de sermos mães. 

 

Por isso, perdoem-me se alguma vez disser algo como "depois logo entendes", parecendo que estou a diminuir a vossa capacidade de empatizar. Pelo contrário, estou apenas a dizer o indizível, o que é incapaz de se transpôr em palavras. 

É que apesar de não ter feito a inscrição, nem pago a jóia ou o seguro, infelizmente, às vezes faço parte do Clube das Mães e parece que depois de lá estarmos, o número de sócio é para a vida!

 

Nota confessional: É que acabei de dizer uma coisa destas e até se m'arrepiou a espinha quando ouvi!

 

12
Set17

Onde anda o romantismo?

Fatia Mor

Apesar de, assumidamente, não ser uma velada romântica, sempre à procura do gesto que nos faz tremer nos tornozelos, ainda sou capaz de apreciar pequenos-grandes gestos de amor.

 

Ora bem! Obrigada a parar numa pequena rotunda que dá acesso ao centro comercial aqui da "vila", observo um casal de adolescentes no passeio.

Ele, com uma rosa vermelha, bem volumosa, estendida na direção dela. 

Ela, ao telemóvel, a olhar para a situação com desdém. 

Enquanto estive parada, e ainda foram alguns minutos por circunstâncias do trânsito que empancou devido à perícia (#not) de alguns condutores,  a situação manteve-se assim. Parecia congelada no tempo, com a excepção da expressão do miúdo que parecia assumir contornos dolorosos.

A criatura não foi capaz de esboçar um sorriso, de se retirar da chamada que decorria, nem tão-pouco de aceitar a rosa, pelo menos enquanto pude ver a telenovela que ali se desenrolava.

 

Fiquei a pensar... Será que o romantismo está assim tão mal visto nos dias de hoje? Estaremos assim tão insensíveis aos gestos "sensívóhumilhantes" que os outros fazem para nos mostrar o quanto gostam de nós? Ou será que já, tão jovem, conseguiu errar tanto ao ponto de ela não se coibiu de o desprezar à força toda?

 

Apostas, aceitam-se!

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Imagens produzidas e fornecidas por Flaticon (http://www.flaticon.com/).